terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Vê?

Dia e noite. Os dois juntos.

Estávamos esperando pelo começo da apresentação musical. Violino, piano, violoncelo. Tudo bem. Observando melhor o saguão do teatro, vi aquela escultura, talhada em madeira, do artista. Um braço e uma mão seguravam um pedaço de madeira, que também sustentava algo: a cabeça. Atrás da cabeça, de formato achatado, via-se um porta-pincéis. Lindo. A escultura era linda. Era uma coisa, uma...um aviso. Um aviso: olhe melhor, olhe de perto.

Depois, iluminado estrategicamente, o quadro. Homenagem ao teatro que foi aberto em homenagem também ao artista. Todo mundo bem homenageado. Porém...

a arte não me pertence. Não sou como Juarez, que possui um pensamento visual. Não tenho. Eu penso com as palavras. Sim, que jeito mais fácil! O único que tenho, infelizmente... Não pude tirar uma foto, porque não gosto de fotos. Detesto. Normalmente não capturam sentimentos.

"Jardins Chateau de Malle" - Uma pintura para o que foi a linda e morna noite

Juarez Machado.

Várias pessoas desenham, mas quantas possuem os seus sentidos visuais preservados, a ponto de se sentirem dentro de algum significado, uma redoma de sensações, a partir de um formato causado pela posição (in)correta das tintas, dispostas coloridamente, gerando milhares de interpretações...? Quantas? Acredito que isso seja o pré-requisito do artista...
E eu os invejo muito, muito.

E a noite termina com física quântica, elétrons, calendário maia e a força da natureza.