quinta-feira, 10 de junho de 2010

Camila, meu nome.

"Enquanto eu te fazia à minha imagem, tu me fazias à tua", pensou então com auxílio da saudade. "Dei-te o nome de José para te dar um nome que te servisse ao mesmo tempo de alma. E tu - como saber jamais que nome me deste? Quanto me amaste mais do que te amei", refletiu curioso.
[...] "E, inquieto, eu começava a compreender que não exigias de mim que eu cedesse nada para te amar, e isso começava a me importunar."
[...] "Agora estou bem certo de que não fui eu quem teve um cão. Foste tu que tivesse uma pessoa. Mas possuíste uma pessoa tão poderosa que podia escolher: e então te abandonou. Com alívio abandonou-te. Com alívio sim, pois exigias - com a incompreensão serena e simples de quem é um cão heróico - que eu fosse um homem."
[...] "Há tantas formas de ser culpado e de perder-se para sempre e de se trair e de não se enfrentar..."

Trechos do conto "O crime do professor de matemática", contido no livro Laços de Família, de Clarice Lispector.

Não me importo em postar pequenas frases de um conto como esse. Tampouco me sinto ludibriada pela minha própria falta de criatividade. Isso não é uma condição, espero.
E com esse pequeno punhado de palavras quero dizer...nada. Não, quero dizer, sim, que esse mundo não é (jamais será), em parte, meu. Porque eu tenho outra imaginação. Porque eu simplesmente não aguento mais. É isso. Não aguento mais.