quinta-feira, 15 de abril de 2010

Feliz ou infelizmente...

Acordei na vontade de escrever (ou tentar), uma vez na vida, um texto compreensível e que faça sentido para mais um gato pingado que vá ler esse blog. Fato é que isso é muito complicado. Esses dias, em meio a uma conversa, disse: "escrevo coisas tão pessoais, que jamais poderia ser criticada por isso". E é verdade. Além do mais, blogs servem para inúmeros tipos de postagens. Não sou a única a pensar dessa maneira, tenho certeza.

Não aprendi ainda a ler outros blogs, e também não cultivo o hábito de comentá-los. É terrível, afinal, quero manter contato com pessoas que escrevam também. Adoro certos jeitos de escrever, de colocar a palavra, de escolhê-la, como se fosse um eterno teste para ver qual é a mais adequada e mais significativa. Há poemas e textos assim. Uma palavra apenas muda tudo.

Ultimamente, no entanto, tenho preferido me ater mais aos textos acadêmicos. Não, é claro, por essa ser minha preferência. Mas se assim não for, acabo me atrasando e acumulando muito pra ler. Só pra não dizer que me afoguei em Isabel Freire e Ana Bock, estou lendo "A vida breve", do Juan Carlos Onetti. Créditos ao Philipe, colega de van, que me recomendou e emprestou gentilmente a obra. Ainda não posso comentar nada, infelizmente, pois nenhuma história faz sentido em poucas páginas. Mas esse é um autor que soube escolher perfeitamente as palavras. Só lendo pra sentir.

Continuando o 'infelizmente' da manhã, lamento toda hora por perder com frequência meu momento de leitura. Não me programo, não penso no depois, sou um desastre. Vejo o blog do Ítalo (que faz a caridade de me ler de vez em quando) e me sinto péssima. Em que raio de lugar eu deixei meu amor ao livro? E não há mais nada a ser dito: ler e reservar um tempo a isso é o máximo da vontade.

Passando ao 'felizmente', fico feliz ao menos por reconhecer essa minha pequena indisposição. Mas ela logo irá embora, sim, e fico calma com isso. Felizmente, também, lembrei do meu último vício em um livro, e foi no da biografia da Clarice Lispector. Quando eu o comprei, quase enlouqueci, como se tivesse abraçado a própria Clarice. E, quando eu o li, devorando cada página em tardes e noites totalmente inutilizados para outros fins, senti como se eu a conhecesse. Eu conheço Clarice Lispector? Benjamin Moser, o biógrafo, quase me fez crer que sim.
Ainda bem que isso não faz muito tempo. Ou faz? Quanto tempo é muito tempo pra um livro? Respondam vocês.

2 comentários:

  1. Não há mal algum na tua arte, e ninguém precisa mesmo entender o que tu escreves. Mas talvez alguém com uma alma um pouco mais nobre te compreenda de qualquer forma. Mas tu nem lê meus comentários mesmo... Hahahaha.

    ResponderExcluir
  2. todo tempo é tempo para livros, né não?

    e tudo ao seu tempo mesmo. há momentos em que lemos mais do que cremos. e há momentos em que lemos menos.

    mas lemos.
    nem que seja a nós mesmos e aos outros.

    e eu adorei esse teu escrito mais escancarado!

    ResponderExcluir