Acordei na vontade de escrever (ou tentar), uma vez na vida, um texto compreensível e que faça sentido para mais um gato pingado que vá ler esse blog. Fato é que isso é muito complicado. Esses dias, em meio a uma conversa, disse: "escrevo coisas tão pessoais, que jamais poderia ser criticada por isso". E é verdade. Além do mais, blogs servem para inúmeros tipos de postagens. Não sou a única a pensar dessa maneira, tenho certeza.
Não aprendi ainda a ler outros blogs, e também não cultivo o hábito de comentá-los. É terrível, afinal, quero manter contato com pessoas que escrevam também. Adoro certos jeitos de escrever, de colocar a palavra, de escolhê-la, como se fosse um eterno teste para ver qual é a mais adequada e mais significativa. Há poemas e textos assim. Uma palavra apenas muda tudo.
Ultimamente, no entanto, tenho preferido me ater mais aos textos acadêmicos. Não, é claro, por essa ser minha preferência. Mas se assim não for, acabo me atrasando e acumulando muito pra ler. Só pra não dizer que me afoguei em Isabel Freire e Ana Bock, estou lendo "A vida breve", do Juan Carlos Onetti. Créditos ao Philipe, colega de van, que me recomendou e emprestou gentilmente a obra. Ainda não posso comentar nada, infelizmente, pois nenhuma história faz sentido em poucas páginas. Mas esse é um autor que soube escolher perfeitamente as palavras. Só lendo pra sentir.
Continuando o 'infelizmente' da manhã, lamento toda hora por perder com frequência meu momento de leitura. Não me programo, não penso no depois, sou um desastre. Vejo o blog do Ítalo (que faz a caridade de me ler de vez em quando) e me sinto péssima. Em que raio de lugar eu deixei meu amor ao livro? E não há mais nada a ser dito: ler e reservar um tempo a isso é o máximo da vontade.
Passando ao 'felizmente', fico feliz ao menos por reconhecer essa minha pequena indisposição. Mas ela logo irá embora, sim, e fico calma com isso. Felizmente, também, lembrei do meu último vício em um livro, e foi no da biografia da Clarice Lispector. Quando eu o comprei, quase enlouqueci, como se tivesse abraçado a própria Clarice. E, quando eu o li, devorando cada página em tardes e noites totalmente inutilizados para outros fins, senti como se eu a conhecesse. Eu conheço Clarice Lispector? Benjamin Moser, o biógrafo, quase me fez crer que sim.
Ainda bem que isso não faz muito tempo. Ou faz? Quanto tempo é muito tempo pra um livro? Respondam vocês.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Detestável linha vital.
Um feriado. Feriado esse que não serve pra mim. Nem pra ninguém, na verdade. Pra ninguém.
Quero dizer que me vejo, hoje, agora, num estado irreversível de letargia. Não o suficiente pra impedir que eu escreva. Adoro escrever. Mas acho que demoro demais. E sou uma má escritora, também. Não me importa.
"So what you say, Lyla?"
Uma segunda-feira chuvosa. É isso que merecemos? Bom, é isso que eu mereço.
Se eu quero um pouco de radiação solar? É. Mas a melancolia que traz a chuva é insubstituível. O sol me faz sentir culpa, culpa por não querer colocar os pés fora de casa. Mas tenho essa obrigação. Tenho que ir. Pra onde? Treinar minha capacidade de socializar a qualquer custo, com qualquer pessoa, falando qualquer coisa. Lamentável.
Por que eu não posso fazer exatamente o que eu quero? Digo...não quero arcar com as consequências. Mas praticar a liberdade nesse momento implica em arcar com tudo. Com todos os maus e bons resultados. Com todas as opiniões.
A maçã que comi agora deixou um gosto de...maçã. Sou um pouco maçã agora. E isso é adorável.
Quero dizer que me vejo, hoje, agora, num estado irreversível de letargia. Não o suficiente pra impedir que eu escreva. Adoro escrever. Mas acho que demoro demais. E sou uma má escritora, também. Não me importa.
"So what you say, Lyla?"
Uma segunda-feira chuvosa. É isso que merecemos? Bom, é isso que eu mereço.
Se eu quero um pouco de radiação solar? É. Mas a melancolia que traz a chuva é insubstituível. O sol me faz sentir culpa, culpa por não querer colocar os pés fora de casa. Mas tenho essa obrigação. Tenho que ir. Pra onde? Treinar minha capacidade de socializar a qualquer custo, com qualquer pessoa, falando qualquer coisa. Lamentável.
Por que eu não posso fazer exatamente o que eu quero? Digo...não quero arcar com as consequências. Mas praticar a liberdade nesse momento implica em arcar com tudo. Com todos os maus e bons resultados. Com todas as opiniões.
A maçã que comi agora deixou um gosto de...maçã. Sou um pouco maçã agora. E isso é adorável.
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