"Enquanto eu te fazia à minha imagem, tu me fazias à tua", pensou então com auxílio da saudade. "Dei-te o nome de José para te dar um nome que te servisse ao mesmo tempo de alma. E tu - como saber jamais que nome me deste? Quanto me amaste mais do que te amei", refletiu curioso.
[...] "E, inquieto, eu começava a compreender que não exigias de mim que eu cedesse nada para te amar, e isso começava a me importunar."
[...] "Agora estou bem certo de que não fui eu quem teve um cão. Foste tu que tivesse uma pessoa. Mas possuíste uma pessoa tão poderosa que podia escolher: e então te abandonou. Com alívio abandonou-te. Com alívio sim, pois exigias - com a incompreensão serena e simples de quem é um cão heróico - que eu fosse um homem."
[...] "Há tantas formas de ser culpado e de perder-se para sempre e de se trair e de não se enfrentar..."
Trechos do conto "O crime do professor de matemática", contido no livro Laços de Família, de Clarice Lispector.
Não me importo em postar pequenas frases de um conto como esse. Tampouco me sinto ludibriada pela minha própria falta de criatividade. Isso não é uma condição, espero.
E com esse pequeno punhado de palavras quero dizer...nada. Não, quero dizer, sim, que esse mundo não é (jamais será), em parte, meu. Porque eu tenho outra imaginação. Porque eu simplesmente não aguento mais. É isso. Não aguento mais.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Para Jaraguá do Sul.
Há algum tempo já penso que o amor, na realidade, é um consenso. É possível amar sem ser amado? Depende do que chamamos "amor". Acredito que não. Amamos se sentimos ser amados. O conceito dessa palavra é que é difícil. Não importa, na verdade. Esse assunto está cada dia menos interessante para mim.
Hoje, no entanto, senti uma pontada imensa de saudade, que creio ter vindo do contato com uma amiga depois de algum tempo. Tempo demais pra mim. Conversamos por uma hora, aproximadamente. E foi como sempre: eu rindo, eu falando, eu me enchendo de felicidade. Porque é isso que ela me traz. Felicidade extrema. E a felicidade pode descartar qualquer sofrimento. É, é isso. Como pode? Pessoas que sim, podem incutir a alegria instantaneamente.
Não quero nunca mais me sentir dessa maneira. Nunca mais.
Habitantes de Jaraguá do Sul: mudem-se pra cá. É minha última chamada.
Hoje, no entanto, senti uma pontada imensa de saudade, que creio ter vindo do contato com uma amiga depois de algum tempo. Tempo demais pra mim. Conversamos por uma hora, aproximadamente. E foi como sempre: eu rindo, eu falando, eu me enchendo de felicidade. Porque é isso que ela me traz. Felicidade extrema. E a felicidade pode descartar qualquer sofrimento. É, é isso. Como pode? Pessoas que sim, podem incutir a alegria instantaneamente.
Não quero nunca mais me sentir dessa maneira. Nunca mais.
Habitantes de Jaraguá do Sul: mudem-se pra cá. É minha última chamada.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Feliz ou infelizmente...
Acordei na vontade de escrever (ou tentar), uma vez na vida, um texto compreensível e que faça sentido para mais um gato pingado que vá ler esse blog. Fato é que isso é muito complicado. Esses dias, em meio a uma conversa, disse: "escrevo coisas tão pessoais, que jamais poderia ser criticada por isso". E é verdade. Além do mais, blogs servem para inúmeros tipos de postagens. Não sou a única a pensar dessa maneira, tenho certeza.
Não aprendi ainda a ler outros blogs, e também não cultivo o hábito de comentá-los. É terrível, afinal, quero manter contato com pessoas que escrevam também. Adoro certos jeitos de escrever, de colocar a palavra, de escolhê-la, como se fosse um eterno teste para ver qual é a mais adequada e mais significativa. Há poemas e textos assim. Uma palavra apenas muda tudo.
Ultimamente, no entanto, tenho preferido me ater mais aos textos acadêmicos. Não, é claro, por essa ser minha preferência. Mas se assim não for, acabo me atrasando e acumulando muito pra ler. Só pra não dizer que me afoguei em Isabel Freire e Ana Bock, estou lendo "A vida breve", do Juan Carlos Onetti. Créditos ao Philipe, colega de van, que me recomendou e emprestou gentilmente a obra. Ainda não posso comentar nada, infelizmente, pois nenhuma história faz sentido em poucas páginas. Mas esse é um autor que soube escolher perfeitamente as palavras. Só lendo pra sentir.
Continuando o 'infelizmente' da manhã, lamento toda hora por perder com frequência meu momento de leitura. Não me programo, não penso no depois, sou um desastre. Vejo o blog do Ítalo (que faz a caridade de me ler de vez em quando) e me sinto péssima. Em que raio de lugar eu deixei meu amor ao livro? E não há mais nada a ser dito: ler e reservar um tempo a isso é o máximo da vontade.
Passando ao 'felizmente', fico feliz ao menos por reconhecer essa minha pequena indisposição. Mas ela logo irá embora, sim, e fico calma com isso. Felizmente, também, lembrei do meu último vício em um livro, e foi no da biografia da Clarice Lispector. Quando eu o comprei, quase enlouqueci, como se tivesse abraçado a própria Clarice. E, quando eu o li, devorando cada página em tardes e noites totalmente inutilizados para outros fins, senti como se eu a conhecesse. Eu conheço Clarice Lispector? Benjamin Moser, o biógrafo, quase me fez crer que sim.
Ainda bem que isso não faz muito tempo. Ou faz? Quanto tempo é muito tempo pra um livro? Respondam vocês.
Não aprendi ainda a ler outros blogs, e também não cultivo o hábito de comentá-los. É terrível, afinal, quero manter contato com pessoas que escrevam também. Adoro certos jeitos de escrever, de colocar a palavra, de escolhê-la, como se fosse um eterno teste para ver qual é a mais adequada e mais significativa. Há poemas e textos assim. Uma palavra apenas muda tudo.
Ultimamente, no entanto, tenho preferido me ater mais aos textos acadêmicos. Não, é claro, por essa ser minha preferência. Mas se assim não for, acabo me atrasando e acumulando muito pra ler. Só pra não dizer que me afoguei em Isabel Freire e Ana Bock, estou lendo "A vida breve", do Juan Carlos Onetti. Créditos ao Philipe, colega de van, que me recomendou e emprestou gentilmente a obra. Ainda não posso comentar nada, infelizmente, pois nenhuma história faz sentido em poucas páginas. Mas esse é um autor que soube escolher perfeitamente as palavras. Só lendo pra sentir.
Continuando o 'infelizmente' da manhã, lamento toda hora por perder com frequência meu momento de leitura. Não me programo, não penso no depois, sou um desastre. Vejo o blog do Ítalo (que faz a caridade de me ler de vez em quando) e me sinto péssima. Em que raio de lugar eu deixei meu amor ao livro? E não há mais nada a ser dito: ler e reservar um tempo a isso é o máximo da vontade.
Passando ao 'felizmente', fico feliz ao menos por reconhecer essa minha pequena indisposição. Mas ela logo irá embora, sim, e fico calma com isso. Felizmente, também, lembrei do meu último vício em um livro, e foi no da biografia da Clarice Lispector. Quando eu o comprei, quase enlouqueci, como se tivesse abraçado a própria Clarice. E, quando eu o li, devorando cada página em tardes e noites totalmente inutilizados para outros fins, senti como se eu a conhecesse. Eu conheço Clarice Lispector? Benjamin Moser, o biógrafo, quase me fez crer que sim.
Ainda bem que isso não faz muito tempo. Ou faz? Quanto tempo é muito tempo pra um livro? Respondam vocês.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Detestável linha vital.
Um feriado. Feriado esse que não serve pra mim. Nem pra ninguém, na verdade. Pra ninguém.
Quero dizer que me vejo, hoje, agora, num estado irreversível de letargia. Não o suficiente pra impedir que eu escreva. Adoro escrever. Mas acho que demoro demais. E sou uma má escritora, também. Não me importa.
"So what you say, Lyla?"
Uma segunda-feira chuvosa. É isso que merecemos? Bom, é isso que eu mereço.
Se eu quero um pouco de radiação solar? É. Mas a melancolia que traz a chuva é insubstituível. O sol me faz sentir culpa, culpa por não querer colocar os pés fora de casa. Mas tenho essa obrigação. Tenho que ir. Pra onde? Treinar minha capacidade de socializar a qualquer custo, com qualquer pessoa, falando qualquer coisa. Lamentável.
Por que eu não posso fazer exatamente o que eu quero? Digo...não quero arcar com as consequências. Mas praticar a liberdade nesse momento implica em arcar com tudo. Com todos os maus e bons resultados. Com todas as opiniões.
A maçã que comi agora deixou um gosto de...maçã. Sou um pouco maçã agora. E isso é adorável.
Quero dizer que me vejo, hoje, agora, num estado irreversível de letargia. Não o suficiente pra impedir que eu escreva. Adoro escrever. Mas acho que demoro demais. E sou uma má escritora, também. Não me importa.
"So what you say, Lyla?"
Uma segunda-feira chuvosa. É isso que merecemos? Bom, é isso que eu mereço.
Se eu quero um pouco de radiação solar? É. Mas a melancolia que traz a chuva é insubstituível. O sol me faz sentir culpa, culpa por não querer colocar os pés fora de casa. Mas tenho essa obrigação. Tenho que ir. Pra onde? Treinar minha capacidade de socializar a qualquer custo, com qualquer pessoa, falando qualquer coisa. Lamentável.
Por que eu não posso fazer exatamente o que eu quero? Digo...não quero arcar com as consequências. Mas praticar a liberdade nesse momento implica em arcar com tudo. Com todos os maus e bons resultados. Com todas as opiniões.
A maçã que comi agora deixou um gosto de...maçã. Sou um pouco maçã agora. E isso é adorável.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
A fuga da imaginação.
Vida diferente. Comida diferente. Pessoas diferentes. Hora diferente.
Casa igual. Pensamento igual. Medos iguais. Desconfiança igual.
Amor aos litros. Diferente e igual.
-
Antes que tudo se torne uma pesada rotina, que eu aproveite para me sentir bem deslocada.
Casa igual. Pensamento igual. Medos iguais. Desconfiança igual.
Amor aos litros. Diferente e igual.
-
Antes que tudo se torne uma pesada rotina, que eu aproveite para me sentir bem deslocada.
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