
sábado, 28 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
Saco vazio não para em pé.
O vazio. Vazio que não passa, eterno, grande, chato. E mais chato.
Vazio que se preenche com livro. Com amor. Com Deus. Com trabalho. Com comida. Com um vício pior do que estes dois últimos (mas menos grave que o vício do amor).
Quem é totalmente preenchido? Quem não tem sua parte oca? Preciso saber se isso existe.
Se sou eu que não vejo graça nenhuma em quase tudo. Será?
Tenho algo. Logo isso não parece tão bom. E, assim, desse jeito manso, escorrega e dá um pulo pra fora de mim. Está livre aquilo que pulou - eu estou sempre presa.
Engraçado...não há algema alguma. E pior: não há nem um lugar ao qual eu esteja presa.
Vou além: talvez eu não tenha mesmo uma alma que segure coisas, que as queira para si.
Sou terrível e molenga. Pessimamente humorada e enérgica. Preguiçosa com o corpo.
Doente da cabeça.
Vazio que se preenche com livro. Com amor. Com Deus. Com trabalho. Com comida. Com um vício pior do que estes dois últimos (mas menos grave que o vício do amor).
Quem é totalmente preenchido? Quem não tem sua parte oca? Preciso saber se isso existe.
Se sou eu que não vejo graça nenhuma em quase tudo. Será?
Tenho algo. Logo isso não parece tão bom. E, assim, desse jeito manso, escorrega e dá um pulo pra fora de mim. Está livre aquilo que pulou - eu estou sempre presa.
Engraçado...não há algema alguma. E pior: não há nem um lugar ao qual eu esteja presa.
Vou além: talvez eu não tenha mesmo uma alma que segure coisas, que as queira para si.
Sou terrível e molenga. Pessimamente humorada e enérgica. Preguiçosa com o corpo.
Doente da cabeça.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Há um muro em todos nós.
Tive hoje uma inspiradora aula de história. Professor Martim com certeza nem tomará conhecimento disso, mas cada coisa que é dita em sua aula muda, de alguma maneira, minha visão totalmente distorcida desse planetinha. Talvez por ser uma aula de história? Não, não, em quase todas as aulas me sinto comovida por algum motivo. Mas esse dia, nove de novembro de dois mil e nove, é uma data que se destaca.
Por quê? Queda do Muro de Berlim? Sim.
Primeiramente, a turma toda sentou-se na sala de multimídia. Professor Martim, então, com seu notebook ligado, colocou um documentário sobre o dia da queda do muro alemão, que dividia a Alemanha em Ocidental e Oriental. No meio de algumas cenas fictícias e uma narração detalhadíssima, apareceram imagens e depoimentos reais de pessoas atravessando o muro, quebrando o muro, chorando, rindo, abraçando (uns aos outros)...
Pergunto a quem quer que leia essa coisa aqui: já pensou se isso ainda existisse? E se fosse, ainda, em outras condições, como por exemplo, um muro bem no meio do Brasil ou impedindo o contato entre dois estados? O que aconteceria?
Para uns, a queda foi também o fim de suas vidas. O sonho comunista acabou. Aliás, nunca se realizou de verdade. Devo confessar minha veia comunista. Minha minúscula e infartante veia comunista. E eu queria ter vivido tudo isso, e também tantas outras coisas. Quiçá fazer parte de uma história qualquer. Uma história documentada.
Não quero estar onde estou, não quero me sentir como me sinto. Gosto de poucas coisas, gosto de muitas pessoas, e algumas delas eu nem conheço.
Acho que há uma espécie de muro em mim. Tal qual o Muro de Berlim, estou dividida ao meio. Não vejo a hora dele ser quebrado. Se bem que o de Berlim durou uns bons e longos anos. Eu acho que posso esperar mais um pouco.
Por quê? Queda do Muro de Berlim? Sim.
Primeiramente, a turma toda sentou-se na sala de multimídia. Professor Martim, então, com seu notebook ligado, colocou um documentário sobre o dia da queda do muro alemão, que dividia a Alemanha em Ocidental e Oriental. No meio de algumas cenas fictícias e uma narração detalhadíssima, apareceram imagens e depoimentos reais de pessoas atravessando o muro, quebrando o muro, chorando, rindo, abraçando (uns aos outros)...
Pergunto a quem quer que leia essa coisa aqui: já pensou se isso ainda existisse? E se fosse, ainda, em outras condições, como por exemplo, um muro bem no meio do Brasil ou impedindo o contato entre dois estados? O que aconteceria?
Para uns, a queda foi também o fim de suas vidas. O sonho comunista acabou. Aliás, nunca se realizou de verdade. Devo confessar minha veia comunista. Minha minúscula e infartante veia comunista. E eu queria ter vivido tudo isso, e também tantas outras coisas. Quiçá fazer parte de uma história qualquer. Uma história documentada.
Não quero estar onde estou, não quero me sentir como me sinto. Gosto de poucas coisas, gosto de muitas pessoas, e algumas delas eu nem conheço.
Acho que há uma espécie de muro em mim. Tal qual o Muro de Berlim, estou dividida ao meio. Não vejo a hora dele ser quebrado. Se bem que o de Berlim durou uns bons e longos anos. Eu acho que posso esperar mais um pouco.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Inspiração
-Tenho medo.
-Hã?
-Medo. Tenho medo.
-Ah...de quê?
-Dessa minha solidão eterna. Você, não?
-Não sou solitário.
-Ah, é, já tinha me esquecido. Como assim, 'não é solitário'?
-Simplesmente não sou. Consigo sentir, ainda que sozinho, a minha própria presença.
-Isso não envolve a presença de outras pessoas?
-Não. Posso me conduzir sozinho. Por isso sei que não sou solitário. Você é solitária por quê?
-Não consigo existir. Não tenho presença. Nem a minha, nem de espírito. Sou um vazio. Sou um nada.
----------------------------
Eu quero...
viver. sonhar. dormir. acordar. saber que estou atenta. conseguir. ferir. sarar. cuidar. burlar. tentar. ser irreparável. ser irresistível. tomar suco gelado. cantar. amar.
Não!
Desfaça esses pedidos! Já!
-Hã?
-Medo. Tenho medo.
-Ah...de quê?
-Dessa minha solidão eterna. Você, não?
-Não sou solitário.
-Ah, é, já tinha me esquecido. Como assim, 'não é solitário'?
-Simplesmente não sou. Consigo sentir, ainda que sozinho, a minha própria presença.
-Isso não envolve a presença de outras pessoas?
-Não. Posso me conduzir sozinho. Por isso sei que não sou solitário. Você é solitária por quê?
-Não consigo existir. Não tenho presença. Nem a minha, nem de espírito. Sou um vazio. Sou um nada.
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Eu quero...
viver. sonhar. dormir. acordar. saber que estou atenta. conseguir. ferir. sarar. cuidar. burlar. tentar. ser irreparável. ser irresistível. tomar suco gelado. cantar. amar.
Não!
Desfaça esses pedidos! Já!
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