Que eu consigo simpatizar com pessoas só pelo contato visual, já sabia. É algo tão automático!
E ontem, em meio a muitas conversas, fiquei pesquisando sobre Oscar Wilde. Não vim falar de sua biografia, mas de tudo o que ele já escreveu ou o que já lhe foi atribuído.
É incrível como os escritores falam coisas que revelam muito de sua vida.
Se formos analisar as citações de Oscar, elas são bastante condizentes com o meio social e as críticas que enfrentava: ele, possivelmente (provavelmente) homossexual e hedonista, tentando parecer indiferente ao público que o massacrava.
"There is no sin except stupidity."
Como um escritor (ou qualquer pessoa com a alma envolta na arte) pode sempre ser tão espirituoso? Escritores, pintores, escultores, filósofos, todos tão sabidos! Todos tão poderosos - Deus, que poder tem a palavra de quem sabe escolhê-la! Não há coisa mais bonita do que a palavra. A palavra é a única forma, acredito, de comunicação.
Sabemos que a palavra traz instrospecção. Mas o que tem isso? Não adianta, por mais infelicidade que possa trazer a necessidade de escrever, ela sempre será a minha escolhida. Sempre.
Traduzir o que se sente é uma questão de treino. Uma questão de sempre precisar escrever de novo.
domingo, 13 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Segunda-feira.
Segunda. Dia bom, até. Pra falar a verdade, é nessa segunda em que se consagra minha primeira semana de férias.
Terça eu vou até a escola. Provavelmente não estudarei coisa alguma. Conversarei e rirei de qualquer coisa, porque assim o dia não se perde. E, na volta pra casa, em pleno calor do meio-dia, sentarei no primeiro banco depois da catraca do ônibus. Dia normal.
Mas minha segundas-feiras andam assim, anormais. Faça chuva, faça sol, pra mim é sempre a mesma coisa. A mesma coisa anormal. Permaneço deitada a tarde toda, curtindo a televisão e o ócio (que me são tão merecidos). É um dia querido por mim, já que representa o descanso completo.
Não paro de pensar um minuto em como serão as coisas na minha vida, e na vida de todo mundo. Como é que vai ser? Ano que vem é outra coisa. Ano que vem será, definitivamente, outra coisa. Estou louca pra saber o que será. Ficando em casa ou indo embora, muda. Tudo muda.
Quero deixar claro: nem tudo muda. Eu não mudo há uns dois anos. Há uns dois anos que eu penso da mesma forma. Há dois anos que conheço as mesmas pessoas, há dois anos que eu gosto delas da mesma forma, há dois anos que minha rotina segue a mesma. E isso é bom. Jamais quero despedir-me disso. O igual também tem sua beleza.
É isso que é a segundona: dia de se escrever tudo que se deseja.
Terça eu vou até a escola. Provavelmente não estudarei coisa alguma. Conversarei e rirei de qualquer coisa, porque assim o dia não se perde. E, na volta pra casa, em pleno calor do meio-dia, sentarei no primeiro banco depois da catraca do ônibus. Dia normal.
Mas minha segundas-feiras andam assim, anormais. Faça chuva, faça sol, pra mim é sempre a mesma coisa. A mesma coisa anormal. Permaneço deitada a tarde toda, curtindo a televisão e o ócio (que me são tão merecidos). É um dia querido por mim, já que representa o descanso completo.
Não paro de pensar um minuto em como serão as coisas na minha vida, e na vida de todo mundo. Como é que vai ser? Ano que vem é outra coisa. Ano que vem será, definitivamente, outra coisa. Estou louca pra saber o que será. Ficando em casa ou indo embora, muda. Tudo muda.
Quero deixar claro: nem tudo muda. Eu não mudo há uns dois anos. Há uns dois anos que eu penso da mesma forma. Há dois anos que conheço as mesmas pessoas, há dois anos que eu gosto delas da mesma forma, há dois anos que minha rotina segue a mesma. E isso é bom. Jamais quero despedir-me disso. O igual também tem sua beleza.
É isso que é a segundona: dia de se escrever tudo que se deseja.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Look closer.
"Há sonhos que devem ser ressonhados, projetos que não podem ser esquecidos..."
-Hilda Hilst-
Há uma frase que sempre devemos repetir, não importando a situação: olhe mais perto.
Descobri que essa é a frase da minha vida ontem. Minhas epifanias acontecem sempre, mas essa é uma daquelas especiais.
E, finalmente, depois de tempos sofrendo...consegui por em prática meus sentimentos sobre os animais. Havia uma borboleta debatendo-se contra a janela aqui em casa. Até aí tudo bem: é fácil ignorar um pobre bichinho. Mas me deu uma dor, uma vontade de chorar imensa...eu não quis ver a borboletinha ali. É bom estarmos bem onde estamos, mas ela não queria estar ali. Ela queria ir embora, pra longe. E ficou confusa. E mais, e mais...acho que ela me personificou. E, assim como se eu fosse uma ajuda divina, eu a tirei do medo. Coloquei-a pra fora da porta.
Bobeira? Sim. Uma bobagem qualquer. Mas as coisas produzem em mim algo que não consigo explicar. Uma grama cortada, uma flor arrancada, o desespero de um inseto, o choro de um cãozinho...me dá muita pena. É como se eu tivesse pena de mim mesma. É como se, em mim, me fossem arrancados centenas de fios de cabelo, como se cortassem pequenos pedaços de minha pele, como se eu chorasse alto e ninguém quisesse socorrer, como se eu quisesse ir embora e não pudesse sair. Ignorar é impossível. Porque não consigo ser ignorante. Não é como se eu quisesse proteger tudo que é não-humano do próprio humano: quero proteger todos de todo o mal. Quero evitar sofrimentos e, se possível, exterminar a fonte da dor.
Por que não ceder aos sentimentos malucos?
Sofrer pelo sofrimento do outro, às vezes, é mais justo do que sofrer apenas por nós mesmos.
Ou não.
-Hilda Hilst-
Há uma frase que sempre devemos repetir, não importando a situação: olhe mais perto.
Descobri que essa é a frase da minha vida ontem. Minhas epifanias acontecem sempre, mas essa é uma daquelas especiais.
E, finalmente, depois de tempos sofrendo...consegui por em prática meus sentimentos sobre os animais. Havia uma borboleta debatendo-se contra a janela aqui em casa. Até aí tudo bem: é fácil ignorar um pobre bichinho. Mas me deu uma dor, uma vontade de chorar imensa...eu não quis ver a borboletinha ali. É bom estarmos bem onde estamos, mas ela não queria estar ali. Ela queria ir embora, pra longe. E ficou confusa. E mais, e mais...acho que ela me personificou. E, assim como se eu fosse uma ajuda divina, eu a tirei do medo. Coloquei-a pra fora da porta.
Bobeira? Sim. Uma bobagem qualquer. Mas as coisas produzem em mim algo que não consigo explicar. Uma grama cortada, uma flor arrancada, o desespero de um inseto, o choro de um cãozinho...me dá muita pena. É como se eu tivesse pena de mim mesma. É como se, em mim, me fossem arrancados centenas de fios de cabelo, como se cortassem pequenos pedaços de minha pele, como se eu chorasse alto e ninguém quisesse socorrer, como se eu quisesse ir embora e não pudesse sair. Ignorar é impossível. Porque não consigo ser ignorante. Não é como se eu quisesse proteger tudo que é não-humano do próprio humano: quero proteger todos de todo o mal. Quero evitar sofrimentos e, se possível, exterminar a fonte da dor.
Por que não ceder aos sentimentos malucos?
Sofrer pelo sofrimento do outro, às vezes, é mais justo do que sofrer apenas por nós mesmos.
Ou não.
sábado, 28 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
Saco vazio não para em pé.
O vazio. Vazio que não passa, eterno, grande, chato. E mais chato.
Vazio que se preenche com livro. Com amor. Com Deus. Com trabalho. Com comida. Com um vício pior do que estes dois últimos (mas menos grave que o vício do amor).
Quem é totalmente preenchido? Quem não tem sua parte oca? Preciso saber se isso existe.
Se sou eu que não vejo graça nenhuma em quase tudo. Será?
Tenho algo. Logo isso não parece tão bom. E, assim, desse jeito manso, escorrega e dá um pulo pra fora de mim. Está livre aquilo que pulou - eu estou sempre presa.
Engraçado...não há algema alguma. E pior: não há nem um lugar ao qual eu esteja presa.
Vou além: talvez eu não tenha mesmo uma alma que segure coisas, que as queira para si.
Sou terrível e molenga. Pessimamente humorada e enérgica. Preguiçosa com o corpo.
Doente da cabeça.
Vazio que se preenche com livro. Com amor. Com Deus. Com trabalho. Com comida. Com um vício pior do que estes dois últimos (mas menos grave que o vício do amor).
Quem é totalmente preenchido? Quem não tem sua parte oca? Preciso saber se isso existe.
Se sou eu que não vejo graça nenhuma em quase tudo. Será?
Tenho algo. Logo isso não parece tão bom. E, assim, desse jeito manso, escorrega e dá um pulo pra fora de mim. Está livre aquilo que pulou - eu estou sempre presa.
Engraçado...não há algema alguma. E pior: não há nem um lugar ao qual eu esteja presa.
Vou além: talvez eu não tenha mesmo uma alma que segure coisas, que as queira para si.
Sou terrível e molenga. Pessimamente humorada e enérgica. Preguiçosa com o corpo.
Doente da cabeça.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Há um muro em todos nós.
Tive hoje uma inspiradora aula de história. Professor Martim com certeza nem tomará conhecimento disso, mas cada coisa que é dita em sua aula muda, de alguma maneira, minha visão totalmente distorcida desse planetinha. Talvez por ser uma aula de história? Não, não, em quase todas as aulas me sinto comovida por algum motivo. Mas esse dia, nove de novembro de dois mil e nove, é uma data que se destaca.
Por quê? Queda do Muro de Berlim? Sim.
Primeiramente, a turma toda sentou-se na sala de multimídia. Professor Martim, então, com seu notebook ligado, colocou um documentário sobre o dia da queda do muro alemão, que dividia a Alemanha em Ocidental e Oriental. No meio de algumas cenas fictícias e uma narração detalhadíssima, apareceram imagens e depoimentos reais de pessoas atravessando o muro, quebrando o muro, chorando, rindo, abraçando (uns aos outros)...
Pergunto a quem quer que leia essa coisa aqui: já pensou se isso ainda existisse? E se fosse, ainda, em outras condições, como por exemplo, um muro bem no meio do Brasil ou impedindo o contato entre dois estados? O que aconteceria?
Para uns, a queda foi também o fim de suas vidas. O sonho comunista acabou. Aliás, nunca se realizou de verdade. Devo confessar minha veia comunista. Minha minúscula e infartante veia comunista. E eu queria ter vivido tudo isso, e também tantas outras coisas. Quiçá fazer parte de uma história qualquer. Uma história documentada.
Não quero estar onde estou, não quero me sentir como me sinto. Gosto de poucas coisas, gosto de muitas pessoas, e algumas delas eu nem conheço.
Acho que há uma espécie de muro em mim. Tal qual o Muro de Berlim, estou dividida ao meio. Não vejo a hora dele ser quebrado. Se bem que o de Berlim durou uns bons e longos anos. Eu acho que posso esperar mais um pouco.
Por quê? Queda do Muro de Berlim? Sim.
Primeiramente, a turma toda sentou-se na sala de multimídia. Professor Martim, então, com seu notebook ligado, colocou um documentário sobre o dia da queda do muro alemão, que dividia a Alemanha em Ocidental e Oriental. No meio de algumas cenas fictícias e uma narração detalhadíssima, apareceram imagens e depoimentos reais de pessoas atravessando o muro, quebrando o muro, chorando, rindo, abraçando (uns aos outros)...
Pergunto a quem quer que leia essa coisa aqui: já pensou se isso ainda existisse? E se fosse, ainda, em outras condições, como por exemplo, um muro bem no meio do Brasil ou impedindo o contato entre dois estados? O que aconteceria?
Para uns, a queda foi também o fim de suas vidas. O sonho comunista acabou. Aliás, nunca se realizou de verdade. Devo confessar minha veia comunista. Minha minúscula e infartante veia comunista. E eu queria ter vivido tudo isso, e também tantas outras coisas. Quiçá fazer parte de uma história qualquer. Uma história documentada.
Não quero estar onde estou, não quero me sentir como me sinto. Gosto de poucas coisas, gosto de muitas pessoas, e algumas delas eu nem conheço.
Acho que há uma espécie de muro em mim. Tal qual o Muro de Berlim, estou dividida ao meio. Não vejo a hora dele ser quebrado. Se bem que o de Berlim durou uns bons e longos anos. Eu acho que posso esperar mais um pouco.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Inspiração
-Tenho medo.
-Hã?
-Medo. Tenho medo.
-Ah...de quê?
-Dessa minha solidão eterna. Você, não?
-Não sou solitário.
-Ah, é, já tinha me esquecido. Como assim, 'não é solitário'?
-Simplesmente não sou. Consigo sentir, ainda que sozinho, a minha própria presença.
-Isso não envolve a presença de outras pessoas?
-Não. Posso me conduzir sozinho. Por isso sei que não sou solitário. Você é solitária por quê?
-Não consigo existir. Não tenho presença. Nem a minha, nem de espírito. Sou um vazio. Sou um nada.
----------------------------
Eu quero...
viver. sonhar. dormir. acordar. saber que estou atenta. conseguir. ferir. sarar. cuidar. burlar. tentar. ser irreparável. ser irresistível. tomar suco gelado. cantar. amar.
Não!
Desfaça esses pedidos! Já!
-Hã?
-Medo. Tenho medo.
-Ah...de quê?
-Dessa minha solidão eterna. Você, não?
-Não sou solitário.
-Ah, é, já tinha me esquecido. Como assim, 'não é solitário'?
-Simplesmente não sou. Consigo sentir, ainda que sozinho, a minha própria presença.
-Isso não envolve a presença de outras pessoas?
-Não. Posso me conduzir sozinho. Por isso sei que não sou solitário. Você é solitária por quê?
-Não consigo existir. Não tenho presença. Nem a minha, nem de espírito. Sou um vazio. Sou um nada.
----------------------------
Eu quero...
viver. sonhar. dormir. acordar. saber que estou atenta. conseguir. ferir. sarar. cuidar. burlar. tentar. ser irreparável. ser irresistível. tomar suco gelado. cantar. amar.
Não!
Desfaça esses pedidos! Já!
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
[sic]
"Que é que eu faço? Não estou aguentando viver. A vida é tão curta e eu não estou aguentando viver."
- Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres -, página 127, escrito por Clarice Lispector.
Como sempre, Clarinha dizendo o que muitos sentem - e não sabem.
- Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres -, página 127, escrito por Clarice Lispector.
Como sempre, Clarinha dizendo o que muitos sentem - e não sabem.
domingo, 18 de outubro de 2009
Como surgem os escritores?
Devo expressar minha surpresa quanto ao que faço agora. Criar um blog foi a última coisa que me ocorreu, ainda que eu esteja tão obcecada pela ideia de começar (logo) a escrever.
Porém, tenho um problema: não sei bem o que é que eu desejo escrever. Está sendo simples agora, afinal, contar algo que nos surpreende é relativamente fácil. Mas e na minha próxima ânsia? Qual é o meu tema? Sobre o que, exatamente, desejo escrever e por que estou fazendo isso?
Sei que todos os escritores possuem um tema...eu sei que eu também possuo. Talvez esteja me sentindo verdadeiramente envergonhada. Não, o medo que sinto é maior do que isso: quero ser compreendida. E quem pode me compreender?
Quem me compreenderá, se não eu mesma?
Racionalizando um pouco, todos os que escrevem devem ter algum tipo de medo. E é por isso que, mesmo estranhando, continuo a criação desse blog. Acima de todas as outras sensações, preciso colocar-me de modo mais poético. É para minha própria leitura, é para meu próprio deleite (ou decepção). No fim, quero manifestar-me de todas as maneiras. Não consigo conversar sobre o que me persegue, sobre o que me incomoda, o que me faz feliz ou infeliz. É por isso que canto, é por isso que choro, é por isso que penso tanto...e, agora, coloco a escrita como meio de libertar esses fantasmas.
Porém, tenho um problema: não sei bem o que é que eu desejo escrever. Está sendo simples agora, afinal, contar algo que nos surpreende é relativamente fácil. Mas e na minha próxima ânsia? Qual é o meu tema? Sobre o que, exatamente, desejo escrever e por que estou fazendo isso?
Sei que todos os escritores possuem um tema...eu sei que eu também possuo. Talvez esteja me sentindo verdadeiramente envergonhada. Não, o medo que sinto é maior do que isso: quero ser compreendida. E quem pode me compreender?
Quem me compreenderá, se não eu mesma?
Racionalizando um pouco, todos os que escrevem devem ter algum tipo de medo. E é por isso que, mesmo estranhando, continuo a criação desse blog. Acima de todas as outras sensações, preciso colocar-me de modo mais poético. É para minha própria leitura, é para meu próprio deleite (ou decepção). No fim, quero manifestar-me de todas as maneiras. Não consigo conversar sobre o que me persegue, sobre o que me incomoda, o que me faz feliz ou infeliz. É por isso que canto, é por isso que choro, é por isso que penso tanto...e, agora, coloco a escrita como meio de libertar esses fantasmas.
Assinar:
Postagens (Atom)
