Ok. Eu sabia que o blog, um dia, se "atualizaria" (como se eu, a própria autora, estivesse ainda no mesmo tempo). Acho que não me preocupo em atualizar porque enquanto eu realmente não quiser, bom, não vai ser uma postagem interessante pra mim.
Ok. Eu consegui mudar várias coisas nele, depois de ter passado tanto tempo com um modelo pronto. No fundo, uma pintura do René Magritte. Artista lindo, arte linda. No final do post, outra dele. Uma imagem que é macabra demais, mas é isso mesmo que deve ser.
Acho que o René e o que ele faz combina comigo agora. Nesse momento que passo. Abra a janela. Abra-a muito. Totalmente. Espere e veja o que acontecerá. Isso é esperar pelo surreal.
Noite passada suponho que eu tenha aberto minha janela em um sonho. Estava eu em uma festa com uma pessoa. Em pouco tempo, fui passeando sozinha pelo salão, com muita gente que eu nunca vi. De repente, sento em uma mesa e quem vem falar comigo é alguém realmente conhecido. Eu a chamei de Paula, mas é Marcela, uma menina mais velha do que eu, que nunca foi realmente uma amiga. Não era nada, na verdade. Nós duas, então, vamos para o piso superior pelas escadas e encontramos um... olha, não é fácil descrever o lugar.
Então, deitamo-nos juntas em um colchão e ela se transforma em um homem. Não é mais a Marcela. Pra aumentar a tensão, chega a tal outra pessoa do começo do sonho. Eu realmente não sei dizer o que acontece, pois o tempo infelizmente mata o sonho. A consciência mata o sonho. Mas independentemente disso, a "Marcela" (que agora é homem) fica com ciúme de sabe-se lá o que (talvez daquele outro personagem) e se joga de uma sacada. Lembrando que era apenas o segundo andar.
Antes de se jogar, a "Marcela" ri muito. Ela ri e se joga. Tive uma incrível alucinação auditiva, pois ouvi o crânio dela atingindo o chão, ouvi os cotovelos, ouvi os calcanhares, ouvi todos os ossos, quem sabe até algum deles se quebrando completamente.
O que acontece depois é uma loucura total, pois eu ainda tenho a coragem de ir ver como "ele" caiu e perguntar alto: "será que ainda tá vivo?", com muito mais desespero do que posso expressar aqui. Desci as escadas e pedi pela ambulância. O sonho acaba.
Não posso fazer interpretações psicanalíticas e blá blá. Bem que eu gostaria. Mas quem é a Marcela, que depois não é mais Marcela? E quem é o outro? E quem sou eu mesma? O sonho que tive reflete uma confusão grande que sinto sobre quem sou. Eu também não sei quem está à minha volta, nunca entendo os outros. É tão difícil compreender o outro, é tão difícil sentir que você pode aceitar tudo com consciência de que faz aquilo, sem fanatismo, sem nem mesmo paixão ou qualquer afeto. Mas simplesmente porque aceitar é tudo que se pode fazer. Guerrear contra é um erro. E nós cometemos esse mesmo erro o tempo todo.
Esse texto é fruto de ter lido muito daquele que vocês acham que é autoajuda. Osho não é autoajuda. Osho é formado em filosofia, como nosso querido Nietzsche ou qualquer outro filósofo que você estiver pensando.
Bem, o Osho é um autor que propõe tantas coisas importantes... já leram?
Recomendo. Nem que seja pra repensar essa porcaria de vida que se leva.
Não, percebam, é muito pior do que parece. Só depende do quanto você decide admitir o verdadeiro em sua vida. Se quer levar uma existência não-existindo, você pode. Se quer existir para praticar a existência como um todo, sendo feliz, oferecendo felicidade, bem, é outro tipo de vida. A maioria gosta muito de existir sem existir de verdade.
Dói menos.